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Até breve companheiro Ulisses Manaças, “agradeço por ter desobedecido!”

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No dia 14 de agosto de 2018, uma das maiores lideranças do Brasil da Luta pela Terra, Ulisses Manaças, dirigente do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, faleceu vítima de câncer, o qual, como era sua característica nata, combateu e lutou até o ultimo momento.

Parafraseando o poeta Maiakóvski, Ulisses Manaças era o “maior entre nós”, por que “sua causa é a causa e uma das razões mais estruturais da injustiça e da desigualdade monstruosa que existe no Brasil desde 1500”. Sim, ele era o “maior”, não por sua estatura, mas por sua coragem em ousar “quando a regra é ceder”, por acreditar na organização popular, por construir no cotidiano uma nova história. Ele estava nas trincheiras das ocupações de terra; nos debates se destacava ao falar de conjuntura, ao chamar atenção para a necessidade da organização política, pois acreditava ser possível transformar o mundo, acabar com as injustiças sociais.

 Ele era o “maior” não apenas por seu vasto conhecimento, sapiência e sua organização política, mas era o “maior” por, em meio ao caos de um cotidiano que nos sufoca com tarefas, contas, trabalhos e mesmo sendo uma das lideranças ameaçadas de morte pelo grande latifúndio, ainda encontrar tempo para dar colo a um amigo ou a uma amiga, por ver o pôr do sol, por escrever poesia, por brincar com seus filhos, por vibrar ao ver suas filhas ingressarem em uma universidade pública, por abraçar e amar sua companheira.

 Drummond de Andrade dizia que “os lírios não nascem da lei” e Ulisses Manaças sabia disso, tinha a certeza de que as flores, os risos, os bons momentos e a justiça social não virão por um decreto, não serão “dadas”pelos homens engravatados atrás de mesas, mas sim, devem e serão conquistados através da luta de homens e mulheres que acreditam e que erguem os punhos em busca de uma “pátria livre e forte, construída pelo poder popular”.

Em tempos de retrocesso políticos, de perdas de direitos sociais arduamente conquistados, sua presença Ulisses Manaças é necessária e continuará conosco, por seu exemplo, por seu compromisso, por sua luta e mesmo, como disse Drummond, as coisas sendo tão fortes, ousaste não ser “coisa” e te revoltaste!

Até breve companheiro, “agradeço por ter desobedecido!”