Carta do CRESS-PA as/aos assistentes sociais

Gestão: Não se render, nem recuar - O CRESS em todo lugar.
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Caras e Caros assistentes sociais amazônidas!

Enfim, estamos desembarcando de 2020! Ainda sob o impacto do que este tem sido e de suas consequências em nossas vidas.

Mas, antes de desejar votos de feliz ano novo, precisamos dividir com vocês, colegas, o que foi esse primeiro ano para a gestão do CRESS/PA e Seccional Santarém; os desafios que nos chegaram e as expectativas de início, somadas às incertezas e todo o processo de adaptação que é natural diante de tanta responsabilidade. E tudo veio junto com um dos maiores desafios que a população deste século XXI ainda vivenci

E assim, muitas  e muitos de nós, senão a totalidade da categoria, estivemos com o sentimento de estar em meio a uma teia gigantesca de angústias e testes de resistências, ao mesmo tempo que precisávamos dar conta da vida pessoal, que nos complementa e onde é abrigado nossos afetos. E tudo mais que nos impôs limitações inesperadas. Mas, cá estamos! É dezembro! E um ano que tem sido um divisor de águas em nossas vidas, seja pessoal, seja profissional.

Desse modo, enquanto representação dessa resistente categoria, é importante fazer uma breve retrospectiva do coletivo “Não se Render, nem Recuar - O CRESS em todo Lugar” e da gestão “Respeito e  Valorização Profissional” da Secional Santarém, que  assumiram esse compromisso em plena grave crise do capital somada à Pandemia pela COVID-19 e assim lutar pela  garantia de direitos daqueles que por heranças históricas, tem tido todos os dias, direitos negados e desconstruindo as raízes do assistencialismo.

Era o início de uma jornada e nossa vitória, ocorrida de forma democrática com a participação afetiva e ativa de tantos e tantas de vocês. Foi incrível, não é mesmo?

Em seguida, tivemos a transição que muito nos emocionou pela acolhida e respeito. Mas já estávamos em meio ao caos da Pandemia e nossa missão enquanto Assistentes Sociais nos colocou numa engrenagem que parecia estar girando ao contrário com o aumento dos casos da doença. E, numa tomada de decisão difícil, tanto pela gestão que saía, quanto pela que chegava, optamos pelo cerimonial on-line, para nós e para a Seccional de Santarém.

É possível que por muito tempo nos lembremos onde estávamos naquele início de noite de 15 de maio de 2020, Dia do/da Assistente Social! Ficamos com nós em nossas gargantas vendo, pela tela de aparelhos eletrônicos, os rostos emocionados de nossas/os companheiras/os que precisaram interagir à distância e liam os trâmites legais da posse em meio a lágrimas e sorrisos. E parafraseando uma poetiza polonesa: “a prova era de história da humanidade”,  e nós, colegas, fizemos parte  desta com vocês! Que prova, colegas! E não se afastaram! Estivemos de mãos dadas, como foi dito ao final daquela transmissão e depois seguir para nossos espaços sócio ocupacionais. Diante disso, fomos condicionadas/os  a situações adversas. Porém, um único sentimento nos motivou a continuarmos lutando contra aos desmontes e a indiferença do Poder Público, foi o da RESISTÊNCIA!

Sob as responsabilidades das novas gestões, a partir daquele momento, nos colocamos no front. Tivemos como prioridade absoluta, tomar decisões para salvaguardar a vida de cada uma e cada um de vocês, das e dos funcionárias/os, dos nossos  prestadores de serviços e consequentemente, nossas famílias. As portas físicas do CRESS/PA  precisaram ser fechadas, mas o trabalho continuou e foi gigantesco! Tivemos momentos de profundas angústias e incertezas.

Como afirmamos acima, temíamos também pelas famílias, amigos,  e sabíamos do  risco iminente de morte e que vocês colegas, vivenciavam isso e estavam em seus espaços de trabalho em condições muitas vezes insalubres, dentro de um turbilhão de fatores que jamais imaginamos piorar tanto e tão rapidamente. Muitos colegas (incluindo várias/os conselheiras/os que estiveram e estão ainda passando por essa situação) esconderam por trás dos sorrisos a angústia de sair de casa e não saber se voltariam, ou, nos casos mais críticos, trabalharam exaustivamente. Eram algumas das dimensões de todo esse contexto, ainda ter forças para lutar contra  o  sucateamento da Seguridade Social. Aliado a esses fatores, os embates travados pela  falta de entendimento por parte de muitos gestores, do que é o  Serviço Social, foram desafiadoras e surgiam a todo momento em várias regiões do estado, não é mesmo?! Mas que incrível saber que cada uma e cada um de vocês, reafirmaram o compromisso ético-político travando lutas inimagináveis contra arbitrariedades, considerando que sem o direito ao concurso público, muitos de nós somos temporários e pensar em ficar sem trabalho era desesperador. Mas, defender  o Serviço Social como fronteira da garantia de direitos não nos permitiu desistir.

E mediante esses aspectos da imprevisibilidade, fizemos e continuamos a fazer, todo o possível para atender a categoria, mesmo com as fragilidades que ainda persiste, os protocolos a cumprir de distanciamento e as adversidades materiais e subjetivas que se aglutinavam e ainda são entraves.

Vivenciamos os impactos pelas condições de trabalho muito especificas. Sistemas e internet insatisfatória numa região com poucos investimentos tecnológicos. Os adoecimentos,  as notícias de perda de pessoas próximas e de colegas de profissão; somando-se ainda o sentimento estarrecedor de revolta que nos atinge todos os dias, vendo as pessoas serem apenas estatísticas frias para um governo federal completamente adverso, egocêntrico,  deletério e fora da realidade e se mostrando cruel às nossas dores e sendo  devastador em atitudes e pela falta dessas.

Mas, contrariando todas as dificuldades, fizemos muitas atividades para que pudessem estar  junto a  vocês de alguma forma. Elaboramos nosso planejamento e dentro das limitações impostas, cumprimos o nosso papel. Lembram dos grandes momentos e dias e dias nossos encontros regionais e descentralizados? Todo mundo foi convidado e quem conseguiu estar presente, fez grandes contribuições!

Em relação a necessidade de apropriação de conhecimentos para uma melhor compreensão a  respeito dos rebatimentos do que tem sido vivenciado no âmbito da profissão, e (re)conhecimento da nossa realidade amazônica sendo alvo de ataques alarmantes, colocamos no ar pelas redes sociais, mesmo com  as limitações tecnológicas já citadas, usamos as  redes sociais para estar em todo o lugar. Foram 13 “lives” entre palestras, oficinas, rodas de conversa, que perpassaram as mais diversas temáticas, desde a Política 0de Migração, Seguridade e Assistência Social. Realizamos 25 reuniões internas do Conselho, 7 lives, sendo algumas em  parcerias e tivemos  convidadas/os  com disposição de enfrentar o desafio, num formato  de interação que antes não era tão experimentado. E conseguimos alcançar com essas oportunidades, 20.160 visualizações feita por vocês, colegas em diversos  municípios e estados.

Fizemos parcerias que foram cruciais e uma destas elaboramos a pesquisa para saber das condições de trabalho da categoria.

E,  para realizar nossas atividades internas e recepcionar vocês, colegas,   montamos uma logística para entrega dos DIPs que chegaram ao nosso CRESS. Fizemos essa ação fora do ambiente físico do Conselho, num espaço bem maior e com ventilação natural, aamplamente divulgada em nossos canais Comunicação.

Em defesa de nosso projeto ético-politico, participamos de 7 atos públicos e ações  na defesa dos direitos humanos e, seguindo protocolo de segurança,  marcamos presença junto com os movimentos sociais e sindicais. Elaboramos  notas/manifestos  em defesa das políticas sociais e da democracia, como foi o caso da  tentativa de alterar  o resultado das eleições da Universidade Federal do Pará, para suprimir a posse da Reitoria, eleita legitimamente.

Estivemos em atos contra o corte de recursos para a Educação Pública  que tem sido alvo de ataques constantes. Nos fizemos presentes em  atos contra o racismo e a violência contra a mulher e LGBTfobía.

Ao decorrer do ano, temos ampliado a representação da categoria em diversos espaços de controle social e participação popular.

Sim, tivemos muitos êxitos! Muitas conquistas, muitas ações, mesmo diante de um cenário tão adverso. E  vocês fizeram parte dessa história junto conosco. Reafirmaram a importância do Serviço Social dentro das instituições, o que teria sido inviável sem a presença de vocês!

A Seccional Santarém retomou proximidade com 19 municípios daquela região, acolhendo suas demandas.

Em relação ao  CRESS e a Seccional Santarém, a parceria de vocês tem sido imprescindível! A história de nossa profissão sempre foi forjada nas lutas, resistências, conquistas, companheirismos, revoluções, insubmissões, defesa intransigentes por nossas escolhas civilizatórias e o que reapresentamos para a população que atendemos todos os dias!

Por isso, defendemos a representatividade do Conjunto CFESS/CRESS, atuando com  nossos  instrumentos normativos, o  nosso Código de Ética, a Lei de Regulamentação Profissional e a Política Nacional de Fiscalização. Esse é nosso mais valoroso patrimônio imaterial e ético político e cada uma/um de nós, assistentes sociais,  com nossa história latino- americana travada em diversos momentos, nos porões de ditaduras militares, temos nesse passado tão difícil, o respeito aos colegas de profissão vitimas da intolerância e estupidez de um sistema perverso. Que jamais esqueçamos!  Que jamais se repita!

Continuemos colegas, defendendo nossas atribuições e o exercício profissional sem jamais sucumbir ao autoritarismo e ao conservadorismo que oprime e tenta nos afastar!

Para finalizar, com emoção e respeito, queremos deixar nossa homenagem às e aos colegas de profissão que partiram em 2020 em nosso estado e no país inteiro, e também nosso reconhecimento aos defensores de direitos humanos que também se foram e, embora não fossem assistentes sociais, eram e continuarão sendo referências importantes para a categoria. Fica nosso afeto imenso às suas famílias, amigos, companheiras/os de jornada e colegas de trabalho e de lutas.

E como fonte de tanta resistência histórica, entre tantas que se foram em 2020, e fizeram a história do Serviço Social brasileiro, escolhemos Dona Ivone Lara, enfermeira e assistente social, mulher negra, defensora da luta antimaniconial e de um legado profissional incrível. Uma sonhadora, cantora e compositora. Ela deixou numa canção, um trecho que em parte reflete a defesa intransigente da nossa profissão:

“Minha Verdade

Eu tenho a minha verdade. Fruto de tanta maldade que já conheci. Me deixa caminhar a minha vida. Livremente. O que desejo é pouco, pois não duro eternamente. Nada poderá me afastar do que eu sou”.

E nós somos assistentes sociais!!!!

Que venha 2021!

Abraços fraternos,

Conselho Regional de Serviço Social 1ª Região

Seccional de Santarém

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