Dia 21 de Janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Não se render, nem recuar, o CRESS em todo lugar.
Autor:
imagem_destaque_29102018062209.jpg

Dia 21 de Janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa


"Sabe aquele símbolo religioso que você já viu na sala de atendimento à população usuária? Ou aquele carimbo de assistente social que contém uma mensagem religiosa? Estes exemplos são pequenas demonstrações, nos microespaços de trabalho, de que, muitas vezes, a laicidade do Estado é atingida" (...) “O Estado Laico é parte das conquistas históricas no campo dos direitos. Representa a afirmação de uma cidadania não tutelada, baseada em direitos". Fragmentos de texto da publicação 'CFESS Manifesta', de 2016.


Por essa característica intrínseca da laicidade, a liberdade de crença religiosa não deve ultrapassar os parâmetros da pessoalidade. Jamais deve ser imposta, ou mesmo sugerida, e, sob nenhum pretexto, pode ser expressa no campo de atuação profissional, sob o risco de ferir um dos princípios constitucionais.


E porque essa data 21 de janeiro foi instituída?  Há 24 anos, a Lalorixá Gildásia dos Santos e Santos, conhecida como Mãe Gilda de Ogum, na Bahia, faleceu em decorrência de uma sequência de atos violentos, motivados por intolerância religiosa. O atentado teve como alvo o seu terreiro de Candomblé, Ilê Axé Abassá de Ogum. O templo foi invadido e depredado por fundamentalistas de uma igreja pentecostal, que agrediram o marido de Mãe Gilda violentamente e isso abalou sua saúde. Não satisfeitos, dois meses depois a expuseram com imagens ofensivas e ameaças, em um jornal de circulação local. Na foto, Mãe Gilda aparecia com uma tarja preta nos olhos, seguida de palavras abusivas. Ela tinha 65 anos e não resistiu a um ataque cardíaco fulminante, no dia 21 de janeiro, ao ver o que fora divulgado a seu respeito, vindo a falecer.

 Os ataques às religiões de matriz africana somam 61% das denúncias no Brasil, somente em 2019, seguida das religiões espíritas e evangélicas, que são 12% (Fonte: Brasil de Fato). Outro fator preocupante é em relação aos povos indígenas. Casos recentes apontam isso. 

Diante deste cenário, não sobra espaço para justificar atitudes que firam a laicidade do Estado quando se precisa transversalizar em nossas atitudes profissionais o nosso papel ético político, onde quer que estejamos como assistentes sociais e defendendo a nossa identidade profissional. Esta, sabemos, precisa ser construída sempre, na defesa intransigente dos direitos humanos. Sempre!

Chega de intolerância religiosa!


Gestão Não se render nem recuar: o CRESS em todo lugar.