Dia mundial de conscientização da violência contra a pessoa idosa

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Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa - 15 de junho
O coletivo CRESS 1ª Região apoia e se insere no combate à violência contra a pessoa idosa.

"Na trama da violência contra a Pessoa Idosa: invisibilidades, negação e poder"

 Campo de atuação dos/das assistentes sociais, a defesa dos direitos da pessoa idosa em uma sociedade cuja democracia ainda é insipiente, se configura um desafio cotidiano nas instituições onde atuamos, assim como, uma busca na vitalização de nosso Projeto Ético e Político, lhe retirando de um campo de pura abstração para lhe inundar de materialidade histórica e tensão, no aqui e agora. Entretanto, vale considerar que não se trata, nestes tempos, de fazer frente à violência contra a pessoa idosa em uma democracia em construção, mas numa “democracia em vertigem”, atacada por um governo neofacista que enxerga, na ampla ação do Estado; na implementação de políticas sociais; na construção de maior justiça; equidade e igualdade social, uma ameaça ao poder econômico de uma necropolítica capitalista que insiste em se fazer contemporânea.
            Nos cabe, portanto, sacar os véus das violências que alcançam a pessoa idosa no Brasil considerando as diferentes regiões na sua geopolítica desigual. A silenciada violência contra a pessoa idosa, passa pelo interesse de despolitizar o debate, vendo, exclusivamente, o envelhecimento, a velhice e a pessoa idosa como assunto privado do interior das famílias como a expressão biológica “natural”. Uma armadilha política que não podemos mais cair se queremos participar de uma ordem democrática e cidadã. Considero isso a matriz da violência contra a pessoa idosa, ou seja, perder de vista que envelhecer, velhice e a cidadania da pessoa idosa são construções sociais tecidas com o protagonismos destes sujeitos de direitos, uma voz e lugar de fala, que se negado, é pura violência  social.
         Outro aspecto que considero importante no reproduzir socialmente da violência contra a pessoa idosa é o que chamo de negação da velhice, o que em tempos de negacionismos políticos e insurgência de terraplanismos, reitera que a velhice é tema da “individualidade” de cada qual. De que é uma decisão pessoal, de que só envelhece quem quer e quem não se cuida, o que culmina no célebre: “ velho/a é o/a outro/a” e na negligência do Estado e da Sociedade nas obrigações em relação aos direitos da Pessoa Idosa.
      Tal aspecto é visceralmente violento, tendo em vista que não pode existir alteridade em relação ao que não existe, portanto, isso reproduz práticas violentas nas ruas, na família, nas organizações, nos espaços públicos, na cidade, nos órgãos públicos, nas políticas sociais e na esfera das relações interpessoais nestas últimas, as subjetividades, vínculos afetivos e dependências silenciam muitas vezes as agressões verbais, físicas, apropriação de proventos e exclusões da participação da vida em família. A não ser quando, a pessoa idosa pode ser um “escravo doméstico” na vida cotidiana das suas famílias.
       Considero ainda, que envelhecer, em si, não é uma refração da questão social. Sendo a velhice heterogênea, só pode ser compreendida como refração da questão social se vista interseccionada com classe, gênero, raça e outras tantas mediações. Aí sim, podemos enxergar o perverso do que significa envelhecer, para a maioria dos/das brasileiras/os numa sociedade estruturalmente desigual e violenta.  
         Segundo a FIOCRUZ, em junho de 2019, mais de 60% das violências contra a pessoa idosa ocorreram nos lares, de acordo com a pesquisadora Maria Cecilia Minayo. Como pode, quando já temos Estatuto da Pessoa Idosa e Politica Nacional da Pessoa Idosa?  Pode, já que, lei e legalidade social são duas coisas distintas da mesma realidade. Entre as leis e a materialidade de seus pressupostos, vai uma distância, que não nos deixa aquietar, é luta diária!  
             E hoje, 15 de junho, que marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, instituído em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU), nós, Assistentes Sociais, queremos repudiar toda e qualquer forma de violência contra a pessoa idosa! A presença dessa violência revela muito de nossa sociedade, de nossa humanidade, de nossa capacidade de amar. Cidadania e Amor na construção de uma sociedade inclusiva para as pessoas idosas, esse é meu/nosso desejo!
                                                                                     Texto especialmente produzido e cedido pela Profa. Andréa Mello, para esta publicação.

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